Carta de profissionais da área à candidatura de Lula propõe medidas para moradia, adaptação climática, cultura e assistência técnica nos territórios.
Arquitetas, arquitetos, urbanistas e outros trabalhadores do espaço construído divulgaram uma carta de apoio à candidatura de Lula. O documento defende que a qualidade da moradia e dos espaços públicos seja tratada como um direito, com políticas construídas junto às comunidades e capazes de reduzir desigualdades entre os territórios.
Entre as propostas está o cuidado com as cidades diante dos riscos climáticos. A carta pede mais arborização adequada aos biomas locais, soluções de drenagem que aumentem a permeabilidade do solo, ampliação do saneamento e investimentos em espaços públicos seguros. Também defende deslocamentos mais curtos, mobilidade ativa e transporte coletivo limpo.
A moradia ocupa lugar central no texto. Os signatários propõem ampliar as formas de atendimento habitacional, incluindo locação social, aproveitamento de imóveis públicos ociosos e regularização que permita às famílias permanecer em seus territórios. A carta destaca ainda a assistência técnica em habitação de interesse social, prevista na Lei Federal nº 11.888/2008, como caminho para melhorar casas e espaços de convivência com participação dos moradores.
Outra frente reúne cultura e construção sustentável. O documento propõe uma política nacional que valorize a qualidade arquitetônica dos equipamentos públicos e os conhecimentos construtivos de povos indígenas, comunidades afrodescendentes e tradicionais. Sugere também fomentar materiais de base biológica, práticas circulares e cadeias produtivas locais.
Para ampliar a capacidade de execução dessas políticas, a carta defende equipes multidisciplinares de assistência técnica, a presença de arquitetos e urbanistas em municípios pequenos e médios, a valorização dos mestres da construção e concursos públicos para projetos de arquitetura e urbanismo.
As propostas apresentam a arquitetura como parte das decisões sobre clima, saúde, cultura, mobilidade e moradia. Seu ponto comum é colocar as necessidades de cada território e a participação de seus habitantes no centro do planejamento público.