EFFICIENT SOLUTIONS, WOOD REUSE IN CONSCIOUS CONSTRUCTION AND SITE
RESUMO
O desperdício e o volume dos resíduos de madeira produzidos nos canteiros de obras, justifica todo o esforço para a redução de sua geração. A reutilização abranda a escassez de matérias-primas, reduz custos e minimiza os descartes em aterros. As sobras de madeiras poderiam ser mais valorizadas e ter mais tecnologias para aplicá-las. Os objetivos desta pesquisa são verificar as condutas em relação aos resíduos de madeiras envolvendo canteiros de obras, marcenarias, descartes e reaproveitamentos, considerando a incorporação destes resíduos na produção de alternativas construtivas lucrativas, mostrando seu potencial para ser reciclado e tornar-se solução. O método consiste em revisão bibliográfica, visitas a canteiros de obras, pesquisas de campo, análises e levantamentos em empresas de entulhos que coletam restos de madeiras da construção civil e marcenarias. Entre os resultados constatou-se que as madeiras reaproveitadas podem retornar ao ciclo da construção e serem empregadas na confecção de pergolados, revestimentos, elementos de proteção solar e mobiliários. Analisou-se técnicas de reúso de madeiras e sua interface em projetos, avaliando sua necessidade, investigando atitudes e o contexto atual. O canteiro e a obra são reflexos das atitudes humanas. É desafiante mobilizar, separar e reciclar os materiais no próprio canteiro. Construções contendo resíduos de madeira transmitem mensagens, são identitárias e expressivas. A madeira possui efeitos estéticos e de conforto, possui textura diferenciada, é fundamental na realização de atividades cotidianas, quando transformada consome menos energia, é necessário evitar extraí-la da natureza e reutilizar seus resíduos em diversas possibilidades. Espera-se reverberar estímulos científicos e boas práticas.
PALAVRAS-CHAVE: Obra 1; Madeira 2; Reaproveitamento 3.
ABSTRACT
The waste and volume of wood waste produced at construction sites justifies all the effort to reduce its generation. Reuse alleviates raw material shortages, reduces costs and minimizes landfill disposal. The wood leftovers could be more valued and have more technologies to apply them. The objectives of this research are to verify the conduct in relation to wood residues involving construction sites, joinery, disposal and reuse, considering the incorporation of these residues in the production of profitable constructive alternatives, showing their potential to be recycled and become a solution. The method consists of literature review, visits to construction sites, field research, analysis and surveys in rubbish companies that collect wood scraps from civil construction and joinery. Among the results it was found that the reused wood can return to the construction cycle and be used in the manufacture of pergolas, coatings, sun protection elements and furniture. Wood reuse techniques and their interface in projects were analyzed, evaluating their need, investigating attitudes and the current context. The construction site and the work are reflections of human attitudes. It is challenging to mobilize, separate and recycle materials on site. Buildings containing wood residues transmit messages, are identity and expressive. Wood has aesthetic and comfort effects, it has a different texture, it is fundamental in carrying out daily activities, when transformed it consumes less energy, it is necessary to avoid extracting it from nature and reusing its residues in several possibilities. It is expected to reverberate scientific stimuli and good practices.
KEYWORDS: Work 1; Wood 2; Reuse 3.
1 INTRODUÇÃO
A concepção e o desenvolvimento de projetos íntegros estão ligados às sensatas atitudes de arquitetos e equipe responsável pela obra. Profissionais competentes se empenham em adotar materiais e componentes derivados da reciclagem de resíduos construtivos, se atentando para a destinação final destes, e propõem novas possibilidades. Neste trabalho, o canteiro de obras e a madeira serão mostrados como componentes solucionadores, integrantes das discussões. O arquiteto presente na criação, planejamento, execução de projetos e construções, assim como na otimização de demolições e reconstruções, possui repertório, possibilidades de melhores resultados, transmite consciência ao cliente e indica o caminho correto.
Esta pesquisa visa uma contribuição teórica para a economia circular na arquitetura, colaborando na redução de descartes de resíduos construtivos em aterros. A economia circular se relaciona às construções, a partir do momento que nelas forem adotadas ações de reúso e materiais que causem menos danos ambientais.
Os objetivos deste estudo consistem em: verificar as condutas em relação aos resíduos de madeiras e canteiros de obras, marcenarias, descartes e reaproveitamentos, considerando a incorporação destes resíduos na produção de alternativas construtivas que envolvam aspectos de sustentabilidade, mostrando seu potencial para ser reciclado, se tornar solução e demonstrar demais perspectivas de maior valor ambiental.
Há uma proposição para o reúso da madeira, que seja consciente, no caso, uma investigação, uma verificação de condutas. A metodologia deste trabalho contempla revisão bibliográfica, visitas a canteiros de obras, pesquisas de campo, realização de fotos, análises, abrangendo levantamentos em locais que lidam com resíduos de madeiras oriundas de marcenarias e construções.
Este texto é estruturado, abordando a temática proposta, perpassando pela introdução, desenvolvimento, conclusão, com autores relevantes para esta discussão, ressaltando a importância dos resíduos de madeiras gerados em cidades, demonstrando práticas atuais, soluções, reaproveitamento de madeiras em construções e canteiros.
O significado de urbano é bem-criado, civilizado, afável, cortês. Assim, como o projeto urbano, o canteiro de obras primeiramente deve ser planejado, onde haja educação, organização, disciplina, atitudes civilizadas, do projeto à execução.
A imagem do canteiro é o espelhamento da escolha da tecnologia construtiva e a otimização do canteiro ou dos espaços dele, é a reutilização do que é gerado.
A compatibilização em todas as fases dos projetos do produto e da produção contribui para assegurar a racionalização do processo e eliminar eventualidades nas decisões no canteiro de obra.
O gerenciamento logístico, o monitoramento e os procedimentos formalizados para o controle da qualidade das atividades que envolvem o canteiro, promovem a racionalização, evitam as perdas e a geração de resíduos.
No Plano de Gestão de Resíduos Sólidos no Canteiro de Obra devem estar definidos o registro da quantificação, destinação final dos resíduos e a emissão de relatórios, permitindo à empresa estabelecer controle e parâmetros da quantidade e tipo de resíduo gerado.
A responsabilidade de gerenciar o canteiro, é destinada ao profissional que tenha seriedade e foco. Aos responsáveis pela obra, principalmente, arquitetos, cabe cuidar e planejar o canteiro de obra como se fosse um tabuleiro, onde os peões são os pedreiros e serventes. Os arquitetos e engenheiros são reis e rainhas deste jogo, os vencedores são todos inseridos no projeto e aqueles de fora também. O mundo é um só, e tudo está interligado. As ações geram reações. Nossos canteiros formam os quadrados do tabuleiro mundo.
A sustentabilidade nos canteiros de obra e seus impactos no meio ambiente vêm se tornando bastante relevantes. Grande quantidade de materiais, água e energia, entre outros recursos de diversos tipos e origens, é consumida durante a execução das atividades de construção, o que inclui as instalações provisórias (THOMAS; COSTA, 2017).
O desenvolvimento sustentável é o maior desafio do século 21. A pauta da cidade é, no planeta urbano, da maior importância para todos os países, pois: (a) dois terços do consumo mundial de energia advêm das cidades, (b) 75% dos resíduos são gerados nas cidades. Uma postura estrategicamente proativa impõe a adoção de medidas e parâmetros verdes em praticamente tudo o que fazemos atualmente, mas, impõe, sobretudo, a busca e adoção das técnicas e tecnologias avançadas na racionalização da gestão dos projetos (DE SOUZA; AWAD, 2012).
De acordo com Ribeiro et al (2018), a quantidade significativa de resíduos de madeira preocupa, quer pela quantidade produzida ao longo de anos, quer pela destinação inadequada, pela queima para produção de energia ou descarte a céu aberto, uma solução paliativa, nada nobre ou ecológica para o problema. A necessidade de se encontrar soluções para o aproveitamento desses resíduos e consequente redução no impacto sobre as florestas têm estimulado o estudo e desenvolvimento de novos materiais.
Reutilizar madeiras requer as operações: coleta, desmonte e tratamento, para poder voltar ao processo de produção. A resolução 307 do Conama, de 05 de julho de 2002, em seu artigo terceiro caracteriza as madeiras como resíduos recicláveis da Classe B.
Entre as estratégias definidas pela Agenda 21 das Cidades Sustentáveis há a preocupação de mudanças nos padrões de produção e de consumo da cidade, reduzindo custos, desperdícios e fomentando o desenvolvimento de tecnologias urbanas e a gestão adequada de resíduos.
Resíduos de construção e demolição (RCD) de madeira podem ser incorporados em compósitos de fibras naturais, reduzindo os impactos ambientais, o que contribui para o desenvolvimento de materiais, produtos e processos mais sustentáveis (ROCHA; MIRANDA; PARCHEN, 2019).
Conforme Thaisa Leite, pesquisadora e estudante da Universidade de Brasília (UNB), na construção civil têm-se a madeira serrada, sarrafos, pontaletes, vigas e vigotes, que estão entre os mais usuais em canteiro, pois são utilizados no escoramento e como suporte de fixação das fôrmas. Há também os painéis da linha dos produtos engenheirados: painéis de compensado, MDF, OSB, dentre outros. Nos canteiros também se encontra compensados resinados que são utilizados para fazer as fôrmas. Para ela é possível o reaproveitamento em obra e o reaproveitar para se transformar em outros produtos, como: portais, portas e rodapés de madeira.
Uma arquitetura aliada à marcenaria segue uma intenção, um ideal, é um artefato feito com matéria resgatada do descarte. Elementos perdidos tornam-se elementos dialogantes que se encontram e formam uma arquitetura emissora de significados. Advindas dos canteiros as madeiras reaproveitadas podem ser empregadas na confecção de brises urbanos, elementos de proteção solar e mobiliário urbano adequados aos pontos de ônibus, afim de contribuir para um urbanismo e uma arquitetura que tornem a cidade mais acolhedora, visando o bem-estar dos usuários e o conforto térmico destes pequenos espaços urbanos.
Os resíduos devem ser armazenados no canteiro até serem coletados por empresas coletoras e agentes recicladores. Para as áreas de armazenamento devem ser considerados os acessos para coleta, principalmente dos resíduos gerados em maior volume.
É preciso ressaltar a importância de fortalecer a autoestima dos participantes do projeto e a valorização do indivíduo, podendo para isto, por exemplo, estipular que a renda obtida com a venda dos resíduos segregados seja usada em benefício dos trabalhadores.
Arquitetos e engenheiros precisam ser bons ouvintes e refletirem sobre as sugestões dos pedreiros e demais trabalhadores. Estes podem transmitir pontos de vista e experiências que podem moldar e melhorar a logística dos canteiros.
Durante a Bienal Pan-americana de Arquitetura realizada em Quito, Equador, no ano de 2012, uma frase se destacou: `A cidade e a arquitetura necessária´, necessidade que está voltada para desenvolver atitudes menos impactantes nos sítios e terrenos.
Mediante Peco (2013), o intuito desta bienal foi explorar o desafio por gerar uma arquitetura que possa ser solução e não causa dos desequilíbrios, salientando a ideia de haver consciência dos recursos naturais como bens escassos e incentivando a reutilização.
Em uma entrevista com Frank (2008), o arquiteto João Filgueiras Lima, alega que não há arquitetura desvinculada de questões ambientais, e que mais do que necessidade de preservação de recursos, essas questões são uma forma de humanização dos projetos.
Rocha, Sousa e Lacombe (2018), demonstram que a madeira pode ser considerada um recurso renovável se utilizada de maneira consciente, a mesma apresenta inúmeras vantagens em suas propriedades, como durabilidade natural, conforto, resistência e rigidez em suas soluções compositivas. Este material apresenta capacidade para uma diversidade de usos, podendo ser aproveitado principalmente na arquitetura e na construção civil. Construções de madeira permitem aproximar o homem da natureza, trazendo naturalidade aos ambientes, pois a madeira mantém em seu estado final de industrialização, características como cores, texturas e aromas que podem ser explorados nas diferentes aplicações construtivas.
Segundo Leite, Sánchez e Blumenschein (2018), é preciso gerar uma mudança nas formas tradicionais de produzir edificações em madeira, originar um ganho de produtividade, redução no desperdício e no retrabalho tanto em fábrica quanto no canteiro. Não é possível mais pensar em desenvolver projetos de forma linear, sem dialogar com os vários atores atuantes no processo produtivo. É preciso desenvolver projetos integrados, que envolvam o projeto do produto e da produção.
Os atores envolvidos no processo, responsáveis pelo desenvolvimento de projeto e da produção, técnicos carpinteiros, técnicos industriais da madeira, engenheiros e arquitetos, precisam ter formação apropriada para o desenvolvimento de projetos de edificações em madeira. O ensino de estruturas e sistemas construtivos em madeira nas universidades brasileiras ainda apresenta deficiências.
Em relação aos atores envolvidos no desenvolvimento de projetos da produção, é importante o investimento na formação técnica e acadêmica quanto ao uso da madeira na construção civil.
Consoante a Poleto e Lahr (2018), empregar os resíduos resultantes de poda de árvores, ou resíduos de marcenarias ou serrarias na forma de Painel de Partículas Homogêneas – PPH, como elemento de revestimento e de telha para coberturas, é uma alternativa interessante. A madeira minimiza o calor dentro da edificação, o que resulta na economia com equipamentos de refrigeração que poluem o meio ambiente.
De acordo com Johnson (1996), através da longa história das religiões, a madeira e as árvores aparecem constantemente como objetos sagrados. Este caráter sagrado deriva do estabelecimento de uma relação simbólica entre as árvores e a força espiritual.
Depois da Segunda Guerra em consonância com a arquitetura moderna, a decoração de interiores usou uma extensa gama de novos materiais. Certos elementos das casas que em outro momento foram considerados puramente estruturais, como a madeira, na atualidade são deixados descobertos para que sua particular forma e cor contribuam na ambiência. A madeira é o material para construção que requer menos energia e se for usado de maneira inteligente, não necessita ser um elemento exclusivo das minorias ricas.
Para Capello (2014), a rusticidade, o efeito acolhedor e a sugestão de um passado cheio de histórias emplacam a madeira de demolição em projetos contemporâneos. Ela encontra segunda chance nos mais diversos ambientes. Alguns atribuem seu sucesso à qualidade e ao apelo ecológico do reúso, outros mencionam a exclusividade das marcas do tempo na superfície. Nos últimos anos, com o crescimento da procura por materiais de baixo impacto ambiental, surgiram selos que oferecem mais pistas sobre o caminho dessa matéria-prima até as obras.
Percebe-se que um dos principais obstáculos para o gerenciamento de resíduos sólidos está na conduta da sociedade. Esta pesquisa aborda as necessidades de uma área da construção civil voltada às práticas sustentáveis e promove estudo para um processo e uma tecnologia em prol do bem ambiental e social.
A reutilização de madeiras hoje é fundamental para abrandar a escassez de matéria-prima cada vez maior no planeta. É preciso haver o reúso dos resíduos deste material, sendo fundamental ter práticas racionais e planejamento para diminuir imprevistos e sobras na obra.
O descomprometimento com o uso do projeto de canteiro é cultural. O volume dos entulhos produzidos neste local de trabalho justifica todo o esforço para a redução de sua geração.
No Brasil, através do auxílio dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), uma das metas do Plano Nacional sobre Mudanças do Clima era alcançar o índice de reciclagem de resíduos de 20% até 2015 (BRASIL, 2010).
Considerando que a legislação pertinente, proibiu desde 2004 o encaminhamento dos resíduos sólidos da construção a aterros sanitários e domiciliares, e considerando ainda, o potencial de reciclagem do resíduo da construção, o foco da gestão dos resíduos da construção deve ser na redução, na reutilização e na reciclagem dos resíduos gerados no canteiro de obra.
O responsável por construções tem a responsabilidade ao elaborar seus projetos de gestão de resíduos, de incluir um Plano de Redução de Resíduos, um Plano de Reutilização de Resíduos e um Plano de Gestão de Resíduos nos Canteiros de Obras.
Este trabalho é movido pelas questões de sustentabilidade crescentes no setor da construção, a fim de oferecer conhecimento de novas técnicas construtivas com madeiras reaproveitadas e enaltecer a adoção de uma nova prática arquitetônica, visando o desenvolvimento tecnológico da madeira.
1.1 Fundamentação teórica
Uma das atividades mais antigas realizadas e registradas pela sociedade é a construção. A primeira utilização considerável de entulho foi registrada após a Segunda Guerra Mundial, na reconstrução das cidades europeias, que se encontravam com um espírito enegrecido e trágico, com seus edifícios plenamente demolidos. Deste modo, a partir de 1946 iniciou-se o desenvolvimento da tecnologia de reciclagem de entulho da construção civil. Nações tecnologicamente desenvolvidas, como: Japão, EUA, Holanda, Bélgica, França e Alemanha, entre outros, já se atentaram sobre a necessidade de reciclar as sobras da construção civil, e se aplicam em pesquisar o assunto pretendendo alcançar um grau de padronização dos procedimentos adotados para obtenção dos agregados (LEVY, 1995).
Já é comum em algumas empresas de construção a substituição de agregados naturais por agregados reciclados de resíduos classe A. Podendo a reciclagem ser realizada em usinas específicas ou dentro do canteiro, dependendo das condições locais. Assim, abre-se um questionamento se esta realidade também acontece com os resíduos classe B, como as madeiras geradas nas obras, com qual frequência e quais incentivos. Uma etapa essencial da gestão de um canteiro de obras é a gestão dos resíduos sólidos de construção e demolição (RCD), ela se faz mediante o documento Controle de Transporte de Resíduos (CTR), que deve ser assinado pelo gerador, transportador e pelo receptor do resíduo. Recomenda-se que os CTRs assinados fiquem armazenados no canteiro como forma de controle e sirvam como evidência para auditorias ambientais e de qualidade (CALDAS; GONZÁLEZ-MAHECHA; MINOJA; TRIBOUILLARD, 2020).
Evangelista, Costa e Zanta (2010), expressam que a indústria da construção civil, apresenta-se como um dos segmentos industriais mais críticos referentes aos impactos ambientais, sendo o principal gerador de resíduos sólidos da sociedade.
Além da geração de grande volume de resíduos sólidos, a obra é responsável por outros impactos ambientais, entre eles: emissão de material particulado, poluição do ar, da água e do solo. Para minimizar a poluição atmosférica, devem ser eliminadas a queima de materiais ou resíduos no canteiro, a cobertura em áreas de processamento de materiais, a aspersão de água no solo, entre outros procedimentos (CALDAS et al, 2020).
Bonar (1996), manifesta que o homem tem usado madeira há milhares de anos. Ela é dura, mas fácil de cortar e entalhar, é forte e de longa durabilidade. Os objetos de madeira não se quebram facilmente e são agradáveis de tocar e de admirar.
Atualmente, com o desenvolvimento de novas tecnologias como a realidade virtual e aumentada, é possível executar projetos virtuais, sem necessidade de construí-los fisicamente, gerando uma grande economia de materiais e consequentemente menores custos e impactos ambientais. Ferramentas como o Building Information Modeling (BIM) tendem a facilitar e melhorar a qualidade do processo de orçamento, planejamento e execução da obra, além de gerar menores perdas e evitar desperdício de materiais (CALDAS; GONZÁLEZ-MAHECHA; MINOJA; TRIBOUILLARD, 2020).
Tem-se como referência, decretos, leis, normas, especificações técnicas e manuais que auxiliam de modo prático e permitem ter mais segurança em realizar ações voltadas para a reutilização de resíduos construtivos. Recomendações de alcance internacional para a gestão de resíduos foram estabelecidas na Agenda 21 da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecida como Hierarquia do Lixo e, atualmente, implantada em diversos países que apresenta medidas como prevenir, minimizar, reutilizar ou reciclar.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), foi instituída por meio da Lei Federal n.12.305, de 2 de agosto de 2010. Nos termos da lei, a gestão de resíduos deve ser desencadeada sempre de maneira integrada, abrangendo todas as etapas e todos os resíduos, além de considerar dimensões políticas, econômicas, ambiental, cultural e social, sendo executada sob controle social e com vistas ao desenvolvimento sustentável. Entre os objetivos desta lei, está o incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados (SILVA FILHO; SOLER, 2012). Este princípio visa acabar com o preconceito normalmente direcionado aos resíduos sólidos como lixo, para os quais não se atribui nenhum valor, os resíduos têm valor intrínseco a ser reconhecido, inclusive, como algo com potencial para geração de trabalho e renda.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, tendo a responsabilidade de determinar uma conduta para minimizar os impactos ambientais, estabeleceu diretrizes critérios e procedimentos com relação aos resíduos sólidos. Esclarece que uma gestão eficaz proporcionará benefícios de ordem social, econômica e ambiental.
Para Benvenuto (2009), ao invés do descarte em aterros, a Resolução 307/02 do Conama deu um impulso para a reutilização e a reciclagem desses resíduos. Ela definiu claramente que eles tinham o caráter de reutilização, não de descarte, sendo que o ponto central é a triagem e a classificação.
Para compreender melhor as propriedades da madeira e seus fins para construção civil, é necessário alinhar conhecimentos obtidos nos canteiros de obras com materiais científicos.
A madeira, apesar de sua grande aplicação nas construções, dos mais humildes barracos até os mais requintados ambientes, é um dos materiais tradicionalmente mais empregados em obras. A falta de aperfeiçoamento de técnicas para se aplicá-la convenientemente muitas vezes obriga a soluções como o emprego do aço ou do concreto armado que, não muito raro, poderiam ser substituídos com grande vantagem pela madeira (ALVES, 1999).
Perante Uriartt (2012), na condição de material de construção, as madeiras incorporam todo um conjunto de características técnicas, econômicas e estéticas que dificilmente se encontram em outro material existente. Deste modo, esse material, apresenta resistência mecânica tanto a esforços de compressão como aos esforços de tração na flexão: foi o primeiro material de construção a ser utilizado tanto em colunas como em vigas e vergas, tem resistência mecânica elevada, superior ao concreto, com a vantagem do peso próprio reduzido, resiste excepcionalmente a choques e esforços dinâmicos: sua resiliência permite absorver impactos que romperiam ou estilhaçariam outros materiais, apresenta boas características de isolamento térmico e absorção acústica, seco, é satisfatoriamente dielétrico, tem facilidade de afeiçoamento e simplicidade de ligações: pode ser trabalhado com ferramentas simples, tem custo reduzido de produção, reservas que podem ser renovadas e, quando convenientemente preservado, perdura em vida útil prolongada à custa de insignificante manutenção, em seu estado natural, apresenta uma infinidade de padrões estéticos e decorativos.
A madeira somente adquiriu reconhecimento como moderno material de construção, em condições de atender às exigências de técnicas construtivas recentemente desenvolvidas, quando outros tantos processos de beneficiamento permitiram anular as características negativas que apresenta em estado natural: a degradação de suas propriedades e o surgimento de tensões internas, decorrentes de alterações em sua umidade, anulados pelos processos de secagem artificial controlada, a deterioração, quando em ambientes que favoreçam o desenvolvimento de seus principais predadores, contornada com os tratamentos de preservação, a marcante heterogeneidade e anisotropia próprias de sua constituição fibrosa orientada, assim como a limitação de suas dimensões, resolvidas pelos processos de transformação nos laminados, contraplacados e aglomerados de madeira (URIARTT, 2012).
A madeira tem sido largamente aplicada na construção civil, devido as vantagens: facilidade no preparo industrial, baixa densidade e grande resistência mecânica. Por outro lado, a combustibilidade, a heterogeneidade e a facilidade de ser atacada por fungos e bactérias constituem suas principais desvantagens. Embora já se tenha uma avançada tecnologia de tratamento da madeira, seu uso ainda é restringido em certos ambientes (ALVES, 1999).
Como material de construção, a madeira tem a importância de ser, depois do aço, o segundo material de maior consumo, mesmo no adiantado desenvolvimento norte-americano. Pode participar nessa condição, provisória ou definitivamente, em todas as partes de uma construção, desde as fundações, estrutura, pavimentos, vedações e revestimentos, até a cobertura. É um material de construção tecnicamente adequado e economicamente competitivo para todas as obras de engenharia, desde lastro de vias férreas até galerias, torres, pontes e estruturas de coberturas em grandes vãos. Como matéria-prima para outros usos industriais, a madeira pode ser considerada como um material bruto que permite o aproveitamento dos sucessivos fragmentos a que pode ser reduzida. Esse fracionamento sucessivo, que transforma o que antigamente era considerado resíduo em subprodutos aproveitáveis, é conduzido atualmente até os seus constituintes básicos, suas moléculas e compostos químicos. O fluxograma de seu rendimento industrial atende ao seguinte desenvolvimento (URIARTT, 2012), conforme apresentado na figura 1.
Figura 1: Fluxograma – Materiais variados de madeira.
Fonte: Arquivo pessoal (2022). Adaptado de URIARTT (2012).
A madeira compõe-se dos seguintes elementos: 50% carbono, 44% de oxigênio, 5,4% de hidrogênio, 0,1% de azoto e 0,5% de cinzas, além disso a madeira é formada por celulose e lignina. Referente às propriedades físicas da madeira, o teor de umidade dela tem muita importância, porque seu valor vai influir nas demais propriedades desse material, sendo que a umidade da madeira seca ao ar varia de 10 a 20%. Quando acontece a redução da umidade da madeira acontece a retratilidade que é a perda de volume (ALVES, 1999).
Todas as características mecânicas da madeira estão estreitamente relacionadas não só à anisotropia da madeira, mas também à sua heterogeneidade e à sua capacidade de absorver água, em última análise, à variedade, distribuição e concentração de seus principais constituintes celulares: fibras, traquídeos, vasos lenhosos, raios medulares e células parenquimáticas. Cada um desses elementos contribui de maneira diversa para a resistência mecânica do material às diferentes solicitações (URIARTT, 2012).
Múltiplos fatores contribuem para a caracterização mecânica da madeira, entre os quais se destacam a heterogeneidade, a anisotropia, a umidade, o ângulo das fibras determinado pela direção do corte, a duração do carregamento e os defeitos (ALVES, 1999).
A durabilidade das madeiras é a resistência que apresentam aos agentes de alteração e destruição de seu tecido lenhoso: fungos, insetos, entre outros. Esta durabilidade depende não apenas de fatores decorrentes da própria natureza do material, espécie lenhosa, cerne ou alburno, presença de taninos, óleos e resinas em seus vasos lenhosos, como também de fatores externos, relacionados às condições do ambiente de emprego: umidade, temperatura e arejamento. É possível, no entanto, ser-lhe incorporada vantajosamente por meio de processos adequados de tratamento e preservação, esses buscam uma reestruturação do material com rearranjo de suas fibras resistentes: são os denominados processos de transformação das madeiras (URIARTT, 2012).
A madeira compensada é o conjunto de três ou mais folhas de madeira coladas de forma que as fibras se alternem em ângulo reto. As placas de fibras vegetais são obtidas pela desintegração do tecido lenhoso submetido à aglutinação com as próprias resinas naturais ou com a adição de ligantes e à prensagem, com compressão moderada ou forte. Por ser uma opção econômica e por suas notáveis propriedades mecânicas ou isolantes, as placas de fibras vegetais vêm substituindo a madeira e outros produtos tradicionais. As matérias-primas empregadas para a fabricação das placas de fibras podem ser qualquer espécie de madeira e resíduos de oficinas onde se trabalha com madeiras (ALVES, 1999).
Todos os processos de transformação da madeira podem obter valiosos beneficiamentos: satisfatória homogeneidade de composição e razoável isotropia no comportamento físico e mecânico; possibilidades ampliadas de secagem e tratamentos efetivos de preservação e ignifugação, quando o material, antes da aglomeração, está reduzido a lâminas finas ou pequenos fragmentos; melhoria, em relação à madeira natural, de determinadas características físicas ou mecânicas, por meio de alternativas nos processos de fabricação; fabricação de chapas e blocos com dimensões adequadas à tecnologia de pré-fabricação modulada e apresentam a grande vantagem econômica de representar um aproveitamento integral de todo material lenhoso presente nas árvores (URIARTT, 2012).
Diante destas contribuições de autores e estudos sobre os aspectos e potencialidades da madeira, é preciso valorizá-la para além de um resíduo da construção civil, dando a ela outras aplicações e perspectivas.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Estratégias, Método, Percepções e Resultados
Esta pesquisa é constituída por revisão bibliográfica, visitas a canteiros de obras, pesquisas de campo, realização de fotos, análises e levantamentos em empresas que coletam restos de madeiras da construção civil e marcenarias, assim a metodologia consistiu em embasamento teórico, pesquisa documental e visitas aos espaços analisados, registrando fatos com uma câmera fotográfica. Este trabalho envolve percepções, exploração de campo e investigar, junto a vários locais, sejam canteiros, seja o espaço urbano, as marcenarias, as transportadoras destes resíduos de madeiras (coletadas e levadas por veículos grandes com carrocerias ou carretinhas, para estabelecimentos, como: lavanderias, pizzarias, padarias, cerâmicas, onde se assam o barro e se curam tijolos, que possuem caldeiras e fornos a lenha, sendo estas madeiras incineradas, se transformando em energia), observando como é o manejo e como são reaproveitados e tratados estes resíduos para diversos usos urbanos e demonstração de soluções criativas.
O primeiro passo consistiu no levantamento e revisão bibliográfica para a construção do embasamento teórico. Concomitante com este, realizou-se pesquisas de campo em empresas que coletam, transportam e destinam entulhos da construção civil, além de marcenarias e o Aterro de Goiânia, através da análise de rotinas, práticas, documentos e dados relacionados aos resíduos de madeiras.
Com base nos conhecimentos de Lakatos e Marconi (2002), também foi realizada a observação do tipo assistemática. A técnica da observação não estruturada ou assistemática, denominada espontânea, simples, livre e ocasional, consistindo em recolher e registrar os fatos da realidade sem utilizar meios técnicos especiais ou precise fazer perguntas diretas.
Todos os passos metodológicos contribuíram para identificar soluções para canteiros de construções e possíveis aplicações não-estruturais das madeiras para uma arquitetura diferenciada com mensagens socioambientais a serem transmitidas.
Constatou-se que a reutilização dos resíduos de madeiras pode ser considerada tanto na fase de construção quanto na fase de demolição. Falta reconhecimento da madeira gerada como sobra, técnicas e tecnologia para dominá-la. Muitos trabalhadores realizam a reciclagem deste material, mas não possuem recursos e apoio financeiro, para desenvolverem alternativas de impacto positivo.
A geração, coleta e o descarte destes resíduos são praticados diariamente em empresas de diferentes segmentos, como as construtoras, marcenarias e empresas que coletam e destinam entulhos. Muitas madeiras se contaminam ao se misturarem com outros materiais, o que requer uma segregação para sua reutilização, mas grande parte delas conservam belas características.
Há uma necessidade de conscientização para fazer o reaproveitamento deste resíduo classe B e isto é um grande desafio, seja para pequenos e grandes geradores, trabalhadores e empresas, as figuras 2, 3, 4 e 5, expressam essa realidade.
Figura 2: Resíduos de madeiras de construção lançados em lote urbano, em Goiânia-GO.
Fonte: Arquivo pessoal (2020).
Figura 3: Madeiras acumuladas em obra.
Fonte: Arquivo pessoal (2020).
Figura 4: Diversos tipos de madeiras da construção civil.
Fonte: Arquivo pessoal (2022).
Figura 5: Aterro de Goiânia que recebe diversos tipos de resíduos.
Fonte: Arquivo pessoal (2020).
As análises deste trabalho permitiram notar o espaço que estes resíduos ocupam, afetando a organização, a otimização de ações em canteiros de obras e o meio natural o qual são lançados. Os locais onde estes são descartados e aglomerados, perdem a vitalidade. Máquinas pesadas em aterros sanitários esmagam e enterram estes materiais, saturando áreas que poderiam ser utilizadas para fins mais nobres. Diferentes ações envolvendo reciclagem e técnicas construtivas com madeiras reaproveitadas foram registradas, como demonstram as figuras 6 e 7.
Figura 6: Paletes reaproveitados aplicados no interior de um escritório em Goiânia-GO.
Fonte: Arquivo pessoal (2020).
Figura 7: Mobiliário composto por madeiras reaproveitadas.
Fonte: Arquivo pessoal (2022).
Transformar resíduos de madeira em arte, contribui para uma cidade mais acolhedora com espaços agradáveis e mensagens de educação ambiental, pois destina de modo adequado estas sobras de marcenarias e obras, impactando positivamente em construções e na questão social. Problemas de insolação podem ser resolvidos com brises feitos com criatividade e restos deste material (Figura 8).
Figura 8: Brises confeccionados com sobras de madeiras em uma marcenaria.
Fonte: Arquivo pessoal (2022).
A ação de reciclagem deveria ser equivalente ao volume produzido, possibilitando alternativas viáveis para diminuir efeitos negativos em ecossistemas. Deve ser difundida e implementada a chamada economia circular, que consiste em um modelo de desenvolvimento econômico fundamentado nos princípios ecológicos e na finitabilidade dos recursos naturais (LEITÃO, 2015). Tal necessidade é decorrente da prática atual, onde apenas uma parte desta logística é realizada, ou seja, os resíduos são coletados, segregados e destinados conforme sua categoria, mas não retornam como produtos secundários ou matéria prima. Assim, na economia circular os resíduos biológicos seriam projetados de modo a serem reinseridos na natureza e os técnicos seriam desmontados e recuperados (AZEVEDO, 2015).
Ellen MacArthur Foundation (2012), define a economia circular como sendo um novo modelo econômico que tem o objetivo de modificar padrões atuais de produção e consumo, que sobrecarregam significativamente o planeta e sua capacidade ambiental. Para isso, é requerido não somente o fechamento dos ciclos com o reaproveitamento de resíduos e recursos, mas também reduzir a velocidade dos ciclos dos materiais, desenvolvendo produtos reutilizáveis e duradouros. Para esta Fundação, uma economia circular é restaurativa e regenerativa por princípio. Seu objetivo é manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor o tempo todo, distinguindo entre ciclos de materiais técnicos e biológicos. Essa abordagem busca, em última instância, dissociar o desenvolvimento econômico do consumo de recursos finitos e eliminar externalidades negativas da economia. Identificando várias possíveis oportunidades de transição para a economia circular no setor de edifícios e construção. Esses indicadores iniciais devem ser compreendidos como áreas a serem mais exploradas por empresas, instituições acadêmicas e formuladores de políticas. Visando ampliar o acesso ao espaço construído ao aplicar princípios da economia circular, integrar conceitos como flexibilidade e modularidade, mais eficiência no uso de recursos e redução do desperdício estrutural poderia contribuir para reduzir os custos de edifícios habitacionais e outros edifícios em toda a economia. Certificações ambientais estão sendo adotadas como uma primeira etapa na transição para a economia circular. Os princípios desta economia, tal qual aplicados no setor de edifícios e construção, incorporam todos os aspectos da criação de um edifício.
A economia linear ou o modelo de consumo “consumir, usar e jogar fora”, remonta à Revolução Industrial e foi a base para o desenvolvimento da economia global. Por razões sociais, econômicas e ambientais, não é considerado sustentável. Assim, um novo modelo de economia circular é visto como um elemento-chave para promover a dissociação entre crescimento econômico e aumento do consumo de recursos, longe da economia linear. Embora amplamente apoiada, a economia circular e o desenvolvimento sustentável ainda não são amplamente praticados (LUCAS; RAMOS; REGO, 2019). Para razões de sustentabilidade, é importante reciclar e em consequência minimizar o uso de recursos primários (HONIC; KOVACIC; RECHBERGER, 2019).
Barbosa (2008), relata que o metabolismo circular das cidades representa uma estrutura cíclica. O aspecto sistêmico do design se combina à visão cíclica da sustentabilidade. Aplicada ao design, a atenção ao ciclo de vida tanto do produto como do edifício é a maneira mais direta de relacionar cada fase do projeto com as implicações da sustentabilidade. E cita aspectos relativos à construção verde e tecnologia, como: conservação de recursos e biocompatibilidade, utilizar materiais renováveis e reciclados provenientes de recursos e selecionar materiais com eficientes tecnologias de reciclagem. Para Rogers e Gumuchdjian (2005), as cidades devem ser vistas como sistemas ecológicos e esta atitude traduz o pensamento no planejamento das cidades e no gerenciamento do uso de seus recursos. As pegadas ecológicas das cidades já cobrem virtualmente o globo, elas devem ser dramaticamente reduzidas e circunscritas. À medida que novas cidades consumidoras se expandem, também cresce a competição por recursos. Cidades com metabolismo linear consomem e poluem em alto grau, já cidades com metabolismo circular minimizam novas entradas de energia e maximizam a reciclagem.
3 CONCLUSÃO
É um desafio mobilizar o profissional, incentivando-o a separar e reciclar os materiais no próprio canteiro de obras. Uma construção feita a partir de restos de madeira da construção civil tem uma mensagem a dar, permite a sensação de regionalismo, sensação de fuga do industrial, do urbano, do óbvio, do padrão e expressa uma manifestação ideológica, marcada por uma identidade social.
Verificou-se condutas em relação aos resíduos de madeiras envolvendo canteiros de obras, marcenarias, descartes e reaproveitamentos, considerando a incorporação destes resíduos na produção de alternativas construtivas lucrativas, mostrando seu potencial para ser reciclado e tornar-se solução. Discutiu-se e analisou-se técnicas de reúso de madeiras e sua interface em projetos, avaliando sua necessidade, investigando atitudes e o contexto atual.
Recomenda-se assim, que haja trabalhos futuros com temas envolvendo novos materiais construtivos compostos por resíduos de madeiras, seus efeitos nas construções e cidades, e medidas associadas à reciclagem para prevenir doenças e problemas urbanos.
A madeira é uma matéria-prima viva, fundamental na realização de atividades cotidianas, é necessário conservar arborizações, evitando extraí-la da natureza e reutilizar os resíduos deste material sagrado. As madeiras reaproveitadas podem retornar ao ciclo da construção e serem empregadas na confecção de pergolados, brises e mobiliários. A madeira ao ser transformada consome menos energia e possui beleza em sua textura. A partir desta pesquisa espera-se inspirar futuras ações, reverberar estímulos científicos e práticas benéficas.
4 REFERÊNCIAS
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